MÉXICO: Trump declara guerra comercial contra a nossa nação

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O Governo imperialista dos EUA anuncia que, a partir de 10 de Junho, imporá uma taxa de 5% às mercadorias importadas do México. Este imposto aumentará mensalmente em 5%, até chegar a 25%, se o Governo mexicano – diz Trump – não detiver a emigração dos países da América central para os EUA. (1)

Todos os meios da Comunicação Social e os analistas dizem que Trump está a empreender esta brutal agressão contra o México para conseguir a sua reeleição e, numa fuga para a frente, face ao perigo de que as Câmaras legislativas dos EUA o levem a juízo político.

Isto é verdade. Contudo, trata-se de uma visão parcial, porque não tem em conta o quadro geral, internacional, em que Trump lança as suas “iniciativas”, quer dizer, o quadro da política de “Os EUA primeiro” (America First).

O sistema da propriedade privada dos meios de produção está a chegar a uma crise sem precedentes. O mercado mundial pode desmoronar-se a qualquer momento. O excesso de capitais e de mercadorias não tem saída.

Trump tenta voltar a uma etapa passada da História; contudo, o proteccionismo está condenado. As prerrogativas dos Estados estão em contradição com as necessidades da concorrência inter-imperialista.

A luta pelos mercados é selvagem e por isso, por exemplo, as fábricas de automóveis dos EUA não irão regressar ao seu país para fabricar automóveis, porque lá os salários dos trabalhadores são 10 ou 15 vezes maiores que os salários dos trabalhadores mexicanos.

A medida decidida por Trump, se for levada à prática, terá duras consequências para o nosso país (o México), pois pode causar a perda de dezenas (ou mesmo de centenas) de milhares de empregos, o que por sua vez pressionará no sentido de um aumento da emigração de trabalhadores.

Trump, depois de ameaçar – no passado mês de Abril – fechar a fronteira e insistir em construir o Muro, agora tenta aplicar uma medida ainda mais brutal contra a nação mexicana, embora seja utópica: a pretensão de que o México detenha dezenas de milhares de migrantes dos países da América central para os EUA.

O presidente mexicano López Obrador respondeu à agressão de Trump com uma mensagem de “diálogo” e declarou que não haverá “guerra de taxas”.

Muito bem. Contudo, não é necessário tomar medidas para defender a soberania nacional e promover o desenvolvimento industrial e agrícola do país?

A reconstrução da Pemex (2) deve ser um primeiro passo, e, em seguida, é necessário reconstruir a indústria desmantelada pela máfia do poder.

A dependência comercial absoluta em relação aos EUA coloca-nos como sendo um território quase colonial, encarregue da montagem de máquinas, fornecedor de matérias-primas e de mão-de-obra super-baratas, e propício ao crescimento do tráfico de drogas e da violência.

Apoiamos todas as iniciativas que o Governo mexicano tome em defesa da soberania nacional e dos direitos e conquistas dos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, a nova etapa política aberta no nosso país – tal como ocorre à escala internacional – coloca à classe trabalhadora e ao povo mexicanos a necessidade de se libertarem do corporativismo sindical e político, coloca à classe trabalhadora a necessidade  de se organizar de maneira independente.

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(1) Divulgamos esta Declaração do jornal El Trabajo, nº 279, de 31 de Maio de 2019, editado pela Organização Socialista dos Trabalhadores (OST – Secção mexicana da 4ª Internacional).

(2) A PEMEX é a companhia estatal mexicana encarregada de administrar a exploração, produção e comércio de petróleo. É a maior empresa de petróleo da América Latina.

 

 

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