Alemanha: Resistência operária

Apresentamos extratos de um artigo de Carla Boulboullé, publicado no jornal Soziale Politik und Demokratie (SoPoDe – Política Social e Democracia), que é animado por militantes do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, em oposição à linha oficial da Direcção deste Partido.

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Estugarda (Alemanha), a 12 de Abril de 2018: manifestação dos assalariados em greve do sector público. Foi para tentar responder a esta explosiva situação social que “a velha” Direcção do SPD decidiu viabilizar uma nova Grande Coligação com Merkel.

O Congresso do SPD em Wiesbaden devia anunciar um novo impulso e entrar na História como ponto de partida para a renovação do partido. Era esta a propaganda da velha Direcção. 172 delegados votaram pela candidata da oposição interna, Simone Lange, e 38 abstiveram-se, o que em conjunto dá mais de metade dos 414 votos obtidos pela sua candidata Andrea Nahles. Um terço dos dele­gados rejeitaram dar o seu mandato a Nahles, que obteve assim um dos piores resultados da história do SPD nas eleições para Presidente do partido. Nahles conseguiu 66% dos votos, o que não é um “sinal para um novo impulso”, mas sim uma “pesada hipoteca… Nahles está de­cepcionada (…). As outras grandes figuras do partido não podem ocul­tar o seu abatimento”, escreve o jornal Der Tagesspiegel. Nahles não consegue fazer esquecer que foi justamente ela – na última Grande Coligação, onde era ministra do Trabalho – quem precipitou a ofensiva para tirar os assalariados das gran­des convenções colectivas, flexibilizan­do o mercado laboral e desregulamen­tando o horário de trabalho, em nome da digitalização e da mudança estrutural.

Segundo a velha Direcção, o SPD deve submeter-­se à política da Grande Coligação. É assim que Olaf Scholz (ministro das Finanças e vi­ce-chanceler da Grande Coligação), numa reunião ministerial em meados de Abril, anun­ciou um novo plano drástico de economias. Prevendo inclusive ter de fazer cortes no Orçamento de 2019 para poder responder às exi­gências da “regra de ouro” (do Tratado Orçamental da União Europeia).

Os assalariados manifestam a sua re­sistência à política da Agenda (1), sobretudo lutando por aumentos sa­lariais no âmbito da negociação de contratos colectivos. O Governo federal e a Associação dos empregadores municipa­is não puderam impedir que os trabalhadores da Função pública e dos Serviços públicos tenham imposto um au­mento salarial real para 2,3 milhões de funcionários federais e municipais.

Os trabalhadores mostraram a sua combatividade com greves massivas de aviso, em que participado, só na primeira semana de Maio, mais de 220 mil assalariados. Os funcionários públicos focalizam cada vez mais a sua luta contra a externalização (recurso aos privados) e a impossibilidade de acesso aos contratos colectivos, bem como pelo contrato colectivo da Função pú­blica ou dos Serviços públicos dos Länder (2) para todos os seus trabalhadores, contra a supressão de postos de trabalho, pelo aumento de pessoal. E, para levar por diante este combate, recorrem aos seus sindicatos.


  1. A chamada Agenda de Schröder, apresentada como um instrumento legislativo para a defesa da “competitividade” da economia alemã, continha ataques cruciais contra as leis que funcionam como Código do Trabalho e contra direitos sociais estipulados na Constituição alemã. O seu prazo de vigência era o ano de 2010, e daí ter sido designada por “Agenda 2010”.
  2. A Alemanha é uma Federação de Estados (Länder).
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