É preciso salvar o Serviço Nacional de Saúde

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Greve dos médicos, em unidade com as suas organizações e com as associações de utentes, mostra como se pode salvar o Serviço Nacional de Saúde.

Os médicos estão a realizar uma greve nacional, de três dias, ao apelo do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), com o apoio das duas Centrais sindicais, da Ordem dos Médicos e de várias Comissões de Utentes.

Os motivos desta mobilização estão expressos num comunicado, onde declaram: “Temos de dizer Basta!”.

Exigem a abertura de concursos para a contratação dos médicos para os hospitais e restantes serviços de saúde, de modo a que cada cidadão possa ter o seu médico de família e um tempo digno de consulta, para que sejam reduzidas as listas de espera; exigem, ainda, a redução do tempo das urgências a que hoje estão obrigados, de modo a poderem garantir os cuidados de saúde a que todos temos direito.

Foi neste contexto que algumas centenas de entre eles se manifestaram diante do Ministério da Saúde, a 8 de Maio, vestindo a bata branca e empunhando cartazes com as suas reivindicações.

Algumas das frases retiradas das intervenções feitas pelos representantes sindicais do Norte, Centro e Sul, e por Associações de Médicos

“Em pouco mais de dois anos desta legislatura, o número de médicos de especialidade desceu de forma exponencial. Foram criadas barreiras que, na prática, estabelecem que só em caso de excepção se pode aceder a uma especialidade. O ano passado ficaram excluídos seiscentos e quarenta médicos; este ano serão mais de oitocentos.” (Dirigente da Associação de Médicos pela Formação Especializada)

“Estamos fartos de ouvir o ministro da Saúde dizer que temos razão… mas que não há dinheiro. Mas não é só uma questão de dinheiro, é uma questão política. Por que são gastos 120 milhões de euros em contratos com empresas de trabalho médico temporário?

Se a avaliação do próprio Ministério da Saúde mostra que com uma rede de unidades de saúde familiar seriam economizados 100 milhões de euros, por que não avança com a criação destas unidades de saúde? Por que continua a investir nas parecerias público-privadas?” (Dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Centro)

“Senhor ministro da Saúde que me disse, olhos nos olhos – antes de ser ministro – querer promover a qualidade e a eficiência, pois faça-o! Não é para amanhã, é para hoje!” (Dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Norte)

“O povo diz: Com a saúde não se brinca. Os médicos são imprescindíveis para a garantir. Com as suas condições de trabalho, com o respeito pela sua dignidade não se pode brincar. Para impedir o investimento do défice… Mas, para despejar milhares de milhões nos bancos privados, o Governo nem pestaneja! ” (Arménio Carlos, Secretário-Geral da CGTP)

Nas intervenções realizadas, tomaram ainda a palavra um representante das Comissões de Utentes do Alentejo Litoral e um representante da Comissão de Utentes da Defesa do Serviço de Atendimento Permanente (SAP 24h) da Marinha Grande e extensões de Saúde do concelho.

Publicamos aqui esta última intervenção, feita por Aires Rodrigues

“Em nome da Comissão de Utentes de Defesa do SAP 24 horas da Marinha Grande, queria testemunhar aqui o nosso inteiro apoio à vossa luta, pela defesa das reivindicações, cuja satisfação é uma garantia para a manutenção e melhoria do Serviço Nacional de Saúde, uma das principais conquistas do 25 de Abril.

A luta que travamos hoje, em conjunto com a população do nosso concelho, para que seja atribuído um médico de família aos cerca de dez mil utentes – que efectivamente o não têm – é a mesma da vossa, pela abertura de concursos para a contratação de mais médicos, para que cada cidadão possa ter um médico de família.

Tal como é a mesma, a batalha para assegurar o normal funcionamento do SAP, durante as 24 horas, sem ter de recorrer a uma empresa privada de contratação de médicos, introduzindo a precariedade na profissão e com consequências desastrosas no funcionamento do serviço. Por isso, entendemos incluir na Nota de Imprensa ontem difundida à população do concelho da Marinha Grande, a solidariedade com a vossa luta, e fazermos nossa a vossa exigência pela abertura de concursos para a contratação de mais médicos.

Decidimos estar presentes nesta Concentração e apoiar a vossa greve, porque é a nossa própria experiência que nos diz: a defesa deste direito fundamental do povo português, inscrito na Constituição da República, passa pela mobilização unida dos utentes, dos diferentes profissionais da Saúde e das suas respectivas organizações.

Só esta mobilização unida, de Norte a Sul do país, pode garantir a continuidade deste direito, que me orgulho de ter ajudado a inscrever na Constituição.”

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