
“Não reclamamos caridade, nem apoio social; reclamamos aquilo que nos é devido: o pagamento do nosso salário e a garantia do posto de trabalho” – foi a frase pronunciada por um dos trabalhadores da Groundforce, presente numa concentração junto do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, realizada no dia 9 de Março. Trabalhadores com quem o Presidente da República dialogava, ao chegar a este Aeroporto, afirmando a sua preocupação com a situação desta “importante empresa” e dos seus trabalhadores, acrescentando que “o Governo está a fazer tudo o que pode para desbloquear a situação”, como se fosse o seu porta-voz.
São 2400 trabalhadores que mostram não estar dispostos a render-se, e que não abdicam de tomar a iniciativa, ao mesmo tempo que não separam a sua luta das organizações que os representam (CT e sindicatos).
Concentrações e plenários nos seus locais de trabalho, diante do Ministério da tutela e do Governo, bem como da Assembleia da República, dirigindo-se aos deputados para que estes sejam os porta-vozes das suas reivindicações.
São 2400 postos de trabalho que estão em causa, e eles sabem que o Bloco de Esquerda e o PCP defendem a nacionalização da Groundforce, com todos os seus postos de trabalho.
Assumir a democracia de Abril
O Presidente da República, na intervenção feita na Assembleia da República – aquando da tomada de posse do seu 2º mandato – não poupou palavras, ao afirmar defender “a democracia e a estabilidade social”, a “solidariedade e coesão social assentes na reconstrução da vida das pessoas”, a “redução da pobreza” e o “desenvolvimento do país, com distribuição da riqueza”.
Mas, a acção dos 2400 trabalhadores da Groundforce não pode deixar de ser interpretada – para quem aposta na retoma do caminho do 25 Abril – como uma primeira resposta, prática e concreta, às palavras do Presidente da República. Pois, coesão social, estabilidade, desenvolvimento do país – e, sobretudo, democracia – não se coadunam com o despedimento de milhares de trabalhadores, abandonados à sua sorte, a começar pelos que tinham contratos a prazo.
Desenvolvimento e democracia não se coadunam com o processo, em marcha, de privatização da Efacec – empresa estratégica, onde está proibido que os trabalhadores realizem plenários, enquanto estão a ser “negociados” os despedimentos. Não se coaduna com as “rescisões por mútuo acordo”, protegidas pela legislação laboral, permitindo o consumar de muito mais despedimentos. Neste sentido, a Altice é um exemplo paradigmático: esta empresa indica a porta de saída a 2000 técnicos (protegidos por contratos colectivos de trabalho), para depois contratar nova mão-de-obra barata e precária.
Que “estabilidade” é esta, que “democracia” é esta?
Os trabalhadores da Groundforce têm razão. É responsabilidade das forças sociais e políticas, que estruturam os trabalhadores como classe para si, criarem as condições que lhes permitam tomar a iniciativa – por toda a parte – para impor o restabelecimento de todos os postos de trabalho (com direitos), da Galp de Matosinhos à Banca, das trabalhadoras da limpeza dos aviões à Altice.
Este é, de facto, o caminho que pode garantir o desenvolvimento do nosso país, a sua coesão e a democracia concretas, retomando o caminho aberto pela Revolução do 25 de Abril.
Os militantes organizados na Associação Política Operária de Unidade Socialista (POUS) – cujos interesses não são distintos dos do conjunto da população trabalhadora – participam, lado a lado com outros militantes e trabalhadores, em todas as iniciativas que ajudarem a desenvolver este caminho.
Pel’A redacção de
“O Militante Socialista”
Carmelinda Pereira