Brasil: ONDE ESTÁ A OPOSIÇÃO NESTE PAÍS?

Transcrevemos uma Carta aos Petistas (membros do Partido dos Trabalhadores – PT), publicada no site “Diálogo e Acção Petista (DAP)”, que é um movimento de base que combate para que o PT retome o caminho das suas origens. Os militantes da Corrente “O Trabalho” (Secção brasileira da 4ª Internacional) do PT participam no DAP.

Companheiras e companheiros,

É muito grave a situação criada na disputa errada em que a Direcção do PT se meteu nas mesas da Câmara de Deputados e do Senado Federal. Apoiando figuras como Baleia Rossi (MDB) e Pacheco (DEM), o PT – como partido de oposição – desapareceu de cena (1). E no episódio da disputa da 2ª secretaria da Mesa da Câmara, com três candidatos do partido (Marília Arraes, João Daniel e Paulo Guedes) a optarem pelo bloco articulado por Maia (2), a bancada do PT desagregou-se apresentando uma imagem lamentável (3)!

Companheiras e companheiros,

É urgente mudar o rumo que conduz ao abismo e reorientar o Partido. Basta de correr atrás da fantasia do “centro democrático”. Basta de procurar a conciliação subordinada aos golpistas e apoiantes das contrarreformas de Temer e Bolsonaro. Basta de políticas que ameaçam destruir o Partido.

Se o PT insistir em não ocupar seu lugar de Oposição, vai deixar de ser referência para amplos sectores populares e, nestas condições, deixar órfãos de representação sectores organizados da classe operária. O PT não precisa de ter o mesmo triste destino de outros partidos de esquerda no mundo.

A verdade é que a Comissão Executiva Nacional nunca deliberou a favor do bloco de Maia (DEM). Por amplíssima maioria, ela adoptou o apoio a Baleia (candidato do tal bloco em que a bancada na Câmara decidiu unânime entrar) e o apoio a Pacheco também foi decidido na bancada no Senado.

Foi um erro, e quanto mais depressa a Direcção o reconhecer, melhor! Lira (do PP) é golpista (4)? Sim, golpistas são todos eles, Lira e Baleia na Câmara, como Pacheco e Tebet (MDB) no Senado. Tal como aconteceu na votação do golpe do impeachment, o vaticínio feito na véspera previa uma segunda volta na votação para a Mesa da Câmara, o que, para alguns, seria a oportunidade, aí sim, de apoiar Baleia. Não quiseram reagir nem quando se viu que o navio afundava, agarrando-se ao mastro mesmo depois de ir ao fundo. E agora comemoram o quê?

Pacientemente, nas diferentes instâncias, no Directório Nacional e na Comissão Executiva Nacional, o DAP defendeu Candidaturas de Oposição nas duas câmaras, Democráticas e Anti-imperialistas, o que era o único caminho. Agora basta: a linha actual de subordinação divide o PT, tal como fragmentou de maneira inédita a bancada parlamentar na Câmara.

Companheiras e companheiros,

No 41º Aniversário do PT, dirigimo-nos através desta carta a todos os petistas para agir como o PT agia e, pela nossa parte, dispomo-nos, desde já, a agir como o PT agia na luta por:

– Vacinas para todos pelo Sistema Único de Saúde, com Testagem em massa!

– Nenhum despedimento na Ford e no Banco do Brasil!

– Auxílio de emergência de R$ 600 (90 euros) durante a pandemia!

– Plenos direitos políticos para Lula!

– Fim do governo Bolsonaro!

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(1) MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido dito “do centro” e DEM (Democratas) é um partido dito “liberal”.

(2) Rodrigo Maia é membro do DEM e actual Presidente da Câmara dos Deputados.

(3) É feita referência ao facto que dirigentes do PT decidiram, por várias vezes, dar o seu apoio a outros partidos, em nome de um hipotético “centro democrático, pondo em causa a independência do PT.

(4) PP é a sigla de Partido Progressista e o seu candidato Lira é apoiado por Bolsonaro.

Reino Unido: Partido Trabalhista afunda-se, porquê?

brexit

Trata-se de uma derrota histórica para o Labour Party (Partido Trabalhista) que perdeu, nas eleições de 12 de Dezembro, 2,5 milhões de votos e 59 deputados no Parlamento. Mas, para compreender a profundidade política da derrota, não é possível cingir-se a estes números, já que, ao obter agora 10 milhões de votos, Corbyn obteve mais votos que Blair em 2001 e que Brown em 2005 – os quais, contudo, foram eleitos com uma maioria de deputados (o sistema eleitoral britânico não é proporcional).

É verdade que o Partido Trabalhista perdeu 8% de votos em 2019, em relação aos seus resultados de 2017, mas perdeu de facto 10,4% (em média) nas circunscrições que votaram massivamente “Leave” (sair) no referendo de 2016 pela saída da UE. Nacionalmente, os Conservadores progrediram muito pouco (+1,2%), mas Johnson ganhou 6% nas circunscrições que votaram “Leave” e o Brexit Party também subiu 3,8% nessas circunscrições. Continuar a ler

América Latina: uma Região em convulsão

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“Os povos não aguentam mais as condições de vida impostas pelo imperialismo.” Este é o tema desenvolvido no Editorial do jornal “O Trabalho” – cuja publicação é da responsabilidade da Secção brasileira da 4ª Internacional [e corrente do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil] – na sua edição nº 856, de 31 de Outubro de 2019.

A gota d’água

A ordem mundial ditada pela sobrevivência da propriedade privada dos grandes meios de produção, do imperialismo em crise, assenta sobre um barril de pólvora que explode em vários países.

Neste ano, inaugurado pela revolução argelina, as explosões atingem países em todos os continentes.

É a inexorável luta de classes que marca o cenário mundial em convulsão. Continuar a ler