O mar morre

Situado entre o Estado de Israel, a Cisjordânia e a Jordânia, o Mar Morto é um lago salgado de 810 km2. É um ecossistema único no mundo. Uma extensão de água, da cor do cobalto, com muito sal e rodeado por escarpas rochosas.

É o ponto mais baixo do planeta, 430 m abaixo do nível médio do mar, onde as águas são oito vezes mais salgadas do que as do Mediterrâneo. Mas desde o início da década de 1960, ele perdeu um terço da sua superfície. De acordo com um estudo do CNRS (1), este mar poderia não passar de uma poça lamacenta dentro de poucas décadas. A causa disto não é o aquecimento global, porque durante milhares de anos a água evaporou-se naturalmente e o Mar Morto estava a ser enchido com água doce, através do rio Jordão, via Lago Tiberíades.

Mas este equilíbrio foi perturbado quando o Estado de Israel criou uma gigantesca via navegável com o objectivo de “ecologizar o deserto”. O Estado de Israel construiu uma barragem, a sul do lago, para impedir o fluxo natural para o rio Jordão. Pelo seu lado, a Jordânia construiu um canal para retirar água de um afluente do Jordão,  com a finalidade de explorar o sal do Mar Morto.

O resultado destas duas infra-estruturas tem sido acelerar a evaporação da água, a qual não é compensada pela chegada de água do Jordão, conduzindo a uma queda no nível do Mar Morto de um metro por ano. Algumas praias parecem agora aldeias fantasmas. A seca está a desenvolver-se, com a multiplicação das crateras, porque o recuo da água deixa para trás uma terra cheia de bolsas de sal. Em contacto com a água doce, estas fendas podem entrar em colapso repentino e engolir tudo à superfície.

O Mar Morto poderá tornar-se num deserto salgado, a médio prazo. Vários projectos têm sido desenvolvidos para o salvar. Um deles, é deixar de bombear a água do rio Jordão, utilizando em o tratamento de águas residuais. Mas isso é demasiado caro. O outro, é construir um canal de 180 km para reabastecer o Mar Morto com água do Mar Vermelho. Mas este projecto, de 10 mil milhões de dólares, não tem financiamento.

Não é a actividade humana em geral que é responsável por esta catástrofe ambiental. São os interesses do agronegócio dos Estados de Israel e da Jordânia que constituem a fonte do aniquilamento do Mar Morto.

Nota de Lucien GAUTHIER, publicada no semanário francês “Informations Ouvrières”Informações operárias – nº 680, de 10 de Novembro de 2021, do Partido Operário Independente de França.

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(1) Centre National de la Recherche Scientifique (Centro Nacional da Investigação Científica): é o organismo coordenador deste sector em França.


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