Aniversário da vitória da Revolução Russa

A 23 de Outubro, comemora-se mais um aniversário da Revolução Russa (o 104ª).

Aproveitamos esta data para divulgar a apresentação do livro “Ensinamentos da Revolução Russa – Interpretação marxista da experiência soviética através de textos dos seus protagonistas”, da autoria do espanhol Xabier Arrizabalo Montoro (1).

Este livro irá ser apresentado em Lisboa, pelo seu autor, numa sessão-debate a realizar no dia 26 de Novembro, às 21 horas, na sede do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL).

Ensinamentos da Revolução Russa

Faz sentido estudar a Revolução Russa hoje, em pleno século XXI? As instituições do capital são claras: é anacrónico, e os seus meios de comunicação, a sua indústria editorial e o seu poder académico proclamam-no como tal. Isto é lógico porque a revolução ameaça os seus privilégios. Mas a classe trabalhadora, cujas condições de vida se deterioram cada vez mais, deve renunciar a conhecer a experiência revolucionária e os seus ensinamentos?

No livro “Capitalismo e Economia Mundial”, também publicado pelo IME (Instituto Marxista de Economia), o professor Arrizabalo Montoro, com base no método marxista, explica rigorosamente porque é que no capitalismo não há saída para os problemas sociais. Isso não se deve a razões morais nem a uma má política económica, mas sim às leis que regem o modo capitalista de produção, cujas contradições estão a tornar-se cada vez mais agudas. A sobrevivência do capitalismo requer, assim, uma exploração cada vez maior, o que constitui um retrocesso para a maioria da população – a classe trabalhadora.

É por isso que a Revolução Russa é o acontecimento histórico mais importante para a classe trabalhadora, porque abre a possibilidade de deixar para trás os problemas a que o capitalismo inevitavelmente conduz. Na Rússia, imediatamente após o triunfo da insurreição em 1917, eles foram resolvidos ou começaram a ser resolvidos – com os decretos sobre a paz, a expropriação dos latifúndios, o controlo da produção pelos trabalhadores, a anulação da dívida, a nacionalização da Banca, a autodeterminação dos povos, a separação entre as Igrejas e o Estado, a igualdade jurídica entre as mulheres e os homens, e um grande etcétera.

A trajectória da Revolução não foi idílica, nem poderia ter sido, dadas as enormes dificuldades enfrentadas. De facto, uma combinação de uma série de circunstâncias conduzirá a uma degeneração burocrática a partir do final da década de 1920, levando à restauração capitalista a partir da década de 1980, com o seu corolário de destruição económica e regressão social.

Poder-se-á então dizer que a Revolução fracassou? Muito antes de Trotsky e Lenine, já Marx e Engels tinham falado de revolução permanente, para afirmar que a experiência revolucionária não pode ser limitada no tempo ou no espaço, como revela o formidável legado deixado pela Revolução soviética: só a organização política da classe trabalhadora, independente de qualquer compromisso com as instituições do capital, pode abrir uma verdadeira saída.

Mesmo que fosse apenas pela experiência dos sovietes – órgãos de poder verdadeiramente democráticos – ou pelo papel de um Partido dos trabalhadores independente (como foi o bolchevique), já haveria muito a aprender com a Revolução russa.

Com este livro, convidamos a uma discussão rigorosa sobre esse legado. A maior parte do texto concentra-se numa extensa colecção de textos dos próprios protagonistas da Revolução, precedido de uma visão geral de todo o processo, em torno das seguintes questões: Por que razão a Revolução triunfou? Que resultados alcançou? Que dificuldades enfrentou? Porque degenerou o Estado dos trabalhadores a que ela deu origem?

O livro conclui com um epílogo no qual são apresentadas várias lições da Revolução Russa, todas elas ainda hoje relevantes. A abordagem a tudo isto é baseada no método marxista, que constitui o culminar da melhor tradição de análise social, cuja intenção inequívoca é a transição socialista para uma sociedade comunista que supere definitivamente o capitalismo, o que se revela cada vez mais não como um desejo mas como uma necessidade.

“A vida é bela; que as gerações futuras a libertem de todo o mal, opressão e violência, e a desfrutem ao máximo” (Trotsky, Testamento).

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(1) Xabier Arrizabalo Montoro é docente no Departamento de Economia Aplicada, Estrutura e História na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais na Universidade Complutense de Madrid (UCM), onde trabalha desde Janeiro de 1990, primeiro como bolseiro de investigação e, desde 1993, como docente (assistente, auxiliar e finalmente professor catedrático, desde 2001).

É doutorado em Economia, licenciado tanto em Economia como em Sociologia pela UCM, bem como pós-graduado em Planeamento, Políticas Públicas e Desenvolvimento pela ECLAC-ILPES (Santiago do Chile). Publicou livros e artigos sobre o capitalismo e a economia mundial, o imperialismo, as políticas de ajustamento estrutural do Fundo Monetário Internacional, as economias latino-americanas (especialmente a economia chilena), bem como a União Europeia e o Euro. Destacamos dois desses livros: “Capitalismo e economia mundial”, com duas edições em espanhol e uma em francês, assim como “Milagre ou quimera: a economia chilena durante a ditadura”.

Tem sido professor visitante em universidades e Centros de investigação de quase quarenta países dos cinco continentes. Actualmente é co-director do Grupo de Investigação “Economia Política: Capitalismo e Desenvolvimento Desigual” na UCM e Director do Curso da UCM “Análise crítica do capitalismo: o método marxista e a sua aplicação ao estudo da economia mundial actual”, desde a sua primeira edição no ano lectivo de 2010-2011.

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