Quando se lança cuspo para o ar, ele volta a cair-nos no nariz

Desde o início da pandemia, o presidente Macron, o Governo, as “autoridades científicas” e o inefável Salomon (o número 2 do Ministério da Saúde) têm afirmado, repetidamente, que os Franceses são os responsáveis pela propagação do vírus, que não respeitam as normas de segurança, que são indisciplinados, etc.

O presidente da Assembleia Nacional (Parlamento) Richard Ferrand – um político próximo de Macron – afirmou, a 29 de Outubro: “Se estivermos doentes amanhã, é porque, a dada altura, não fomos tão cuidadosos como deveríamos ter sido. O que significa que podemos não ter lavado bem as mãos, que não mantivemos a máscara posta sempre que era necessário. Cada um de nós deve estar atento aos outros e a si próprio.”

A 17 de Dezembro, o Sr. Ferrand, por causa de contacto, colocou-se em isolamento. Na verdade, ele tinha participado, alguns dias antes, num jantar particular no Palácio do Eliseu, às 20 horas, que reuniu mais de dez pessoas (1), enquanto, recordemos, as recomendações das “autoridades científicas” são de um máximo de seis durante uma refeição, para já não mencionar o recolher obrigatório.

De facto, o Presidente Macron está doente, pois apanhou o Covid-19. Ele está em isolamento domiciliário em La Lanterne, Pavilhão de caça que não fica muito longe do Palácio de Versalhes, a casa dos reis. O Sr. Ferrand colocou-se em isolamento por ter contactado com Macron e por medo de contaminar os membros do Parlamento, particularmente no restaurante da Assembleia Nacional. Ah sim! Lembre-se que se os restaurantes estão fechados, o da Assembleia Nacional permanece aberto.

Que mundo pequenino! Desde 2017, eles já eliminaram 7.500 camas hospitalares e – utilizando a pandemia – estão a despejar centenas de biliões de euros nos bolsos dos patrões, caucionam os planos de reestruturação e de despedimentos, atirando para a rua milhões de trabalhadores, precários, estudantes, comerciantes, artistas,… Estes, quando ficam doentes, não têm o Pavilhão La Lanterne para se isolar. Isto passará, isto passará…

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(1) Entre as quais estava o primeiro-ministro do Governo português, António Costa.

Nota de Lucien Gauthier publicada no Suplemento ao semanário francês “Informations Ouvrières” – Informações operárias – nº 635, de 22 de Dezembro de 2020, do Partido Operário Independente de França.

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