Líbano: Qual é a jogada de Macron?

Desde o Sahel até à costa turca, passando pelo Líbano, vimos Macron nas últimas semanas a dar publicamente as suas ordens aos governos; vimo-lo a desfilar, fazer avançar aviões de combate e a Marinha de guerra, financiados por aumentos substanciais do Orçamento militar. Será que ele pensa que voltou ao tempo do grande império colonial, alimentando guerras e tensões num contexto de cobiça e de pilhagem dos recursos destes países?

Ou procuraria ele ganhar, a milhares de quilómetros de distância, uma estatura que está a ser cada vez mais desafiada em França, um artifício corrente dos “chefes” perante a hostilidade e rejeição no seu próprio país?

Trata-se de uma manobra grosseira. É certamente mais fácil para ele afirmar-se como salvador nas ruas devastadas de Beirute, em vez de o fazer em França – isso é certo! – onde é um facto haver desconfiança e raiva nas fábricas e nas cidades atingidas pelos planos de despedimentos, e cortes salariais impostos sob a chantagem à perca do emprego feita pelo seu Governo, enquanto dá ao capital milhões de milhões de euros com o seu “plano de recuperação”.

Pretende ele “ajudar o povo libanês”? A 1 de Setembro, de volta a Beirute, Emmanuel Macron intimou as forças institucionais corruptas – odiadas pelo povo libanês aos gritos de “Vão-se todos embora!” – a formarem um “governo de peritos”, no prazo de quinze dias, para implementar sem demora as “reformas” preconizadas pelo Fundo Monetário Internacional! Os povos do mundo inteiro conhecem a poção mortífera que é administrada geralmente pelo FMI, e desta vez é Macron que quer segurar a colher.

Para o Mediterrâneo oriental, ele envia um porta-helicópteros, uma fragata e aviões Rafale e pretende arbitrar, em nome do “Direito internacional”, os termos da exploração futura de um campo de gás potencialmente tão vasto como o do Mar do Norte.

Na região do Médio-Oriente, a Líbia já foi pulverizada por uma guerra, iniciada em 2011 por Sarkozy sob a égide de Washington e da ONU, em nome do “Direito internacional” e da “democracia”: na realidade, para apertar o controlo do imperialismo e, como subproduto, para deitarem a mão aos recursos petrolíferos. Tal como no Iraque, ou na Síria…

Produzido em grande parte pelo desmantelamento da Líbia, devido à intervenção imperialista, e pela onda de miséria que submerge a região, reina o caos no Sahel, onde mais de 5.000 soldados franceses da Operação Barkhane – apoiados por militares dos EUA – estão a intervir desde 2014, desrespeitando a soberania dos povos, e dando origem a uma crescente hostilidade das populações destes países: a do Mali acaba de expulsar o seu Presidente, fantoche do imperialismo francês, após meses de mobilizações em massa, seguidas de um golpe de Estado militar.

“Retirada de todas as tropas francesas do Sahel!”, é dito num apelo de militantes e democratas de diferentes organizações, que acaba de ser lançado em França. Eles têm razão.

Basta de ingerências!

Basta de invasões militares imperialistas!

Não há paz sem soberania dos povos!

Comunicado do Partido Operário Independente (POI) de França, de 7 de Setembro de 2020, contra a política externa de ingerência de Macron. A Secção francesa da 4ª Internacional é uma das quatro correntes do POI.

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