Deixem os cientistas investigar!

Desde há meses, temos sido inundados com estudos sobre o tratamento do Covid-19. Não vai parar! Um dia, um estudo explica que a hidroxicloroquina não é eficaz ou é mesmo perigosa. No dia seguinte, outro estudo afirma o contrário.

A “respeitável e prestigiosa” (sic) revista científica The Lancet tinha publicado um estudo para demonstrar que a hidroxicloroquina não funcionava. Depois, face às críticas mostrando o carácter falso desse estudo, The Lancet retirou-o. Ela acaba de publicar agora um novo estudo que afirma que a hidroxicloroquina funciona. O mesmo se passa com o medicamento do laboratório norte-americano Gilead, o Remdesivir, sobre o qual vários estudos contraditórios foram publicados.

A imprensa e os outros meios de Comunicação social não param de dar conta, diariamente, sobre estes diferentes estudos. Alguns “cientistas em início de carreira” utilizam estes estudos para manifestarem o seu ponto de vista.

Não sendo nem uma revista científica nem uma revista médica, o nosso semanário (Informations ouvrières) não tem nenhuma opinião sobre estes diferentes tratamentos.

Mas considera que esta campanha nos meios de Comunicação social visa, na realidade, atacar a liberdade científica, transformando a investigação em instrumento de propaganda para governos e, especialmente, para os laboratórios farmacêuticos. Deixemos, portanto, os cientistas em paz. Deixemo-los trabalhar, pesquisar, discutir entre si, inclusive polemizar, permitindo-lhes assim desenvolver a sua investigação.

Por outro lado, Informations Ouvrières sabe muito bem que uma série destes estudos são patrocinados e participam na operação que visa desviar a responsabilidade daqueles que estão no Governo e, ao mesmo tempo, fazer o jogo dos laboratórios.

Tomemos o caso do Remdesivir, por exemplo. Vários estudos foram publicados. Um deles, que foi objecto de dois testes de controlo, concluiu que este medicamento não tem qualquer efeito sobre o Coronavírus. Um estudo norte-americano, pelo contrário, considera que ele tem um efeito benéfico. Vários investigadores ficaram surpreendidos com as condições em que esse estudo foi efectuado, incluindo alterações de critérios no decurso do estudo. “Quando se faz um estudo, partimos de uma hipótese que vamos a tentar verificar, estabelecendo um modelo a partir do qual construímos estatísticas. Se alterarmos qualquer parâmetro durante a investigação, isso pode alterar completamente o resultado”, diz Morgane Bomsel, directora de investigação no CNRS (Centre National de Recherche Scientifique, de França) e chefe de departamento no Hospital Cochin, em Paris.

Não iremos recensear aqui tudo o que tem sido dito em relação a este medicamento. Podemos apenas salientar que, sobre este estudo norte-americano, Anne-Claude Crémieux, especialista em doenças infeciosas no Hospital de Saint-Louis, em Paris, que explica ser este o estudo “em que se baseiam-se as autorizações de comercialização nos EUA e na Europa”.

Podemos, de facto, interrogar-nos sobre o interesse financeiro do trust Gilead em promover este medicamento, a 2.000 euros por dose.

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Nota de Lucien GAUTHIER, publicada no semanário francês “Informations Ouvrières” – Informações operárias – nº 619, de 26 de Agosto de 2020, do Partido Operário Independente de França.

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