Solidariedade como o povo libanês!

Nestes tempos difíceis por que está a passar o Líbano, expressamos a nossa solidariedade para com o povo libanês, para com os trabalhadores e as suas organizações independentes.

Vimos com horror as duas explosões que fizeram implodir o Porto de Beirute, causando enormes perdas em vidas humanas, habitação, infra-estruturas básicas, serviços, empresas, e, desde a catástrofe, estamos a seguir de perto as informações relativas à magnitude do desastre e da tragédia humana e social. Esta nova catástrofe afecta o vosso país, já atingido por uma crise política aguda e é objecto de complots regionais e internacionais para o arrastar para uma nova guerra civil, e isto numa altura em que a crise económica mortífera do Líbano acentua de forma brutal o sofrimento cruel dos trabalhadores e dos jovens, quando os hospitais já estavam saturados pelo terrível número de pessoas doentes infectadas pelo Covid-19.

Vimos como as instituições financeiras internacionais, o FMI e a UE, tiram partido desta terrível crise económica para exigir, ao Governo libanês, a implementação de um novo ajustamento estrutural como contrapartida a novos empréstimos, que agravam a enorme dívida externa do Líbano (102 mil milhões de dólares) e acentuam a crise sócio-económica numa espiral infernal.

Denunciamos as manobras das potências imperialistas – lideradas por Macron, em nome da antiga força colonial, e por Trump, presidente dos EUA – que pretendem dar lições e tentar instrumentalizar as explosões como pretexto para colocar o Líbano sob tutela estrangeira. Nesta conjuntura muito difícil, expressamos a nossa total solidariedade à classe trabalhadora, à juventude e ao povo libanês em geral; apresentamos as nossas sinceras condolências às famílias das vítimas e desejamos uma rápida recuperação dos feridos. Como militantes operários, pensamos que a classe operária mundial deve mobilizar-se em unidade para exigir a anulação da insuportável dívida do Líbano, a fim de permitir o vosso país a empreenda a sua reconstrução e que as necessidades urgentes das vítimas e das suas famílias sejam satisfeitas – respeitando a soberania nacional – as exigências e aspirações dos trabalhadores e da maioria do povo libanês, martirizado por tantos infortúnios e sofrimento.

Comprometidos com a soberania dos povos e das nações, afirmamos que cabe ao povo libanês e só a ele decidir as formas de governo e as políticas adequadas às suas aspirações e interesses, de acordo com o que têm vindo a dizer com força desde Outubro passado, fazendo avançar os slogans: “Vão-se todos embora, e quando dizemos todos é mesmo todos!” e “Sistema vai-te embora !”. Pela nossa parte, temos plena confiança na resiliência dos trabalhadores e do povo libanês, o qual respondeu positivamente a tantos desafios num passado recente.

7 de Agosto de 2020

Luisa Hanoune, Dominique Canut

Coordenadores do Acordo Internacional

dos Trabalhadores e dos Povos

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Este Comunicado do Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos (AIT) foi publicado numa Carta do CILI (Comité Internacional de Ligação e Intercâmbio). Este Comité foi formalmente constituído em Paris, a 8 e 9 de Junho de 2018, num Encontro em que participaram 55 delegados de 33 países (sendo 2 portugueses).

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