OS ROSTOS DA HUMANIDADE

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A humanidade está aterrorizada.

Mais de 3 mil milhões de seres humanos estão confinados, como no tempo das grandes epidemias da Idade Média. Os Serviços de saúde, onde existem, rebentam pelas costuras. E, onde não existem, as pessoas são deixadas ao mais completo abandono, como no Equador, em Guaiaquil, onde dezenas de cadáveres juncam o solo, porque as autoridades não conseguem recolhê-los antes de 48 horas, tal é a situação de sobrecarga…

A Venezuela e o Irão, que já sofriam um embargo, sentem, com a sua manutenção, o agravamento da crise sanitária que os atinge. Os Palestinianos “confinados” na Faixa de Gaza, também, sob embargo! E os refugiados sírios e palestinianos, no Líbano e noutros locais, são deixados ao abandono, enquanto o Estado israelita continua a prender e a reprimir Palestinianos, assim como a expulsá-los das suas terras, para aí instalar colonos. É este o rosto da humanidade!

Os “migrantes” que são amontoados em campos de refugiados. E as populações africanas que não têm acesso a água corrente, que não têm sabão e que não poderão, assim, seguir as recomendações da OMS. E as centenas de milhares – em África, na Ásia, na América Latina – que vivem em acampamentos, em bairros de lata, em favelas. E as dezenas de milhões de trabalhadores, em países da Ásia, que são despejados – porque a sua empresa fechou – e estão sem recursos. São vários milhões de Indianos, migrantes, vindos do campo para trabalhar nas fábricas das grandes cidades, que foram atirados para a rua: “Se ficamos aqui, morreremos de fome”, diz um deles. Então, aos milhões, são obrigados a marchar quatro ou cinco dias para voltarem às suas aldeias de origem, onde esperam sobreviver. É este o rosto da humanidade!

E durante este tempo, milhões de milhões de dólares são distribuídos às empresas e aos mercados financeiros para salvar a economia. E são os trabalhadores que pagam. Nos EUA, em 10 dias, 10 milhões foram parar ao desemprego, sem direito a subsídio, mas com “ajudas” atribuídas. É este o rosto da humanidade!

E, por todo o lado, os Serviços de saúde colapsam, incluindo os dos países mais ricos da Europa e os dos EUA. Com falta de camas, porque foram sendo fechadas, falta de máscaras, porque se esgotou o stock, falta de ventiladores, porque não houve investimento. É este o rosto da humanidade!

Mas esta humanidade tem um outro rosto: o dos médicos, dos enfermeiros e de todo o pessoal hospitalar, que – apesar das condições terríveis que lhes são impostas – trabalham denodadamente para salvar vidas. Todos, num ou outro momento, exprimiram a sua indignação face à falta de material, de medicamentos, de pessoal, que já vinha de longe. Mas, hoje, mesmo nessas condições, eles fazem frente a tudo!

Pelo seu trabalho, pela sua coordenação uns com os outros, pela sua eficácia, e contra a incúria das autoridades, eles demonstram que a humanidade se consegue organizar  numa outra base que não a da obtenção de lucro. E também há trabalhadores, como os da Amazon, nos EUA, que fizeram greve contra a ausência de condições de segurança no seu local de trabalho, ou como os do Chile, que ameaçam fazer greve, ou como os do Brasil, de Itália, de Espanha e os de tantos outros países.

Não nos podemos esquecer que – em 2019 e 2020, antes da pandemia – os povos se levantaram na Argélia, no Chile, no Iraque, no Líbano, no Equador e em muitos outros países, que assistimos a intensas mobiliza-ções de trabalhadores, como em França, para defender as pensões de aposentação e a Segurança Social, para defender o Sistema Nacional de Saúde!

É aqui que reside a verdadeira humanidade. A dos trabalhadores e dos povos contra a barbárie. A barbárie tem um nome e um rosto: o Sistema capitalista.

Lucien Gauthier

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Este texto foi inicialmente publicado no semanário Informations Ouvrières – Informações operárias – nº 599, de 8 de Abril de 2020, do Partido Operário Independente de França.

Em seguida, foi retomado pelo AIT (Acordo Internacional dos Trabalhadores e dos Povos), o qual esteve na origem da decisão de constituição do CILI (Comité Internacional de Ligação e Intercâmbio), tomada em Dezembro de 2017, em Argel, aquando de uma Conferência Mundial Aberta, onde estiveram presentes militantes e responsáveis políticos de todos os horizontes do movimento operário, de origens partidárias e sindicais diversas, vindos de 42 países de todo o mundo.

O CILI foi formalmente constituído em Paris, a 8 e 9 de Junho de 2018, num Encontro em que participaram 55 delegados de 33 países.

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