União Europeia, bye bye!

UE_desmorona

É muito provável que haja um “antes e um depois” para as instituições da União Europeia após a realização deste Conselho Europeu Extraordinário de 26 de Março. Um Conselho que terminou a sua reunião sem qualquer acordo sobre que medidas tomar para fazer face à crise económica que rebentou de novo com o alastrar da pandemia.

As instituições da União Europeia, confrontam-se há muitos anos, com oposição aberta de uma boa parte dos trabalhadores e dos povos, que vêem chegar destas instituições “recomendações” para que os governos levem a cabo me­didas anti-operárias, como por exemplo a vaga de “reformas dos sistemas públicos de pensões de aposentação”. Reformas, claro está, de aplicação sob a res­ponsabilidade dos diferentes governos, que utilizaram a desculpa do “é a mando da Europa”.

Mas as instituições euro­peias, também desde há muitos anos, não actuam – de maneira nenhuma – como instituições autónomas. São os governos, em particular dos grandes países – Alemanha e França – os que, na realidade, de­cidem. Foi isto que apa­receu, agora, de forma clara. A conversa fiada da cooperação e da solida­riedade desapareceu no altar dos interesses dos grandes trusts e multinacionais, e dos Es­tados que os protegem. Nenhuma crise, por importante que seja, pode superar a “concorrên­cia” entre capitalistas.

Cada um por si

 O Governo alemão, apoiado pelo holandês e por outros, recusou o pedido do Governo italia­no – apoiado pelo espanhol – de fazer frente à crise editando dívida europeia (euro-obrigações mu­tualizadas). Ou seja, co-responsa­bilizando todos os governos.

A recusa a esta iniciativa e a decisão de adiar qual­quer acção para uma re­união a realizar passadas duas semanas, levou o ministro de Economia francês, Bruno Lemaire, a dizer que “o cada um por si provocará a desaparição da Zona Euro”. Dias atrás, os governos alemão e francês tinham negado à Itália um apoio sanitário de urgência (que a China, a Rússia e Cuba se prestaram a dar).

Apesar da Comissão Europeia ter decretado que o Pacto de estabilidade – quer dizer, o li­mite de 3% do PIB no défice de cada país – já não está em vigor, ninguém pode garantir que as instituições da UE se irão manter.

Sem dúvida que para os trabalha­dores e os povos – e para o combate por uma União Livre dos Trabalhadores e dos Povos da Europa, baseada no fim da opressão e da explora­ção – a ruptura aberta das instituições europeias só pode facilitar esta perspectiva.

Andreu Camps

membro do Secretariado Internacional

da 4ª Internacional

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