Cimeira do clima COP 25: os negócios das mudanças climáticas

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Na inauguração da Cimeira, havia mais de 50 mandatários de Estado ou de Governo. Os representantes das grandes empresas e toda a chamada sociedade civil. Só faltava Greta Tumberg, a jovem emblema deste movimento, que chegaria mais tarde.

Acabar com o carbono ou fortalecer o negócio?

No dia da abertura da Cimeira, todos os diários espanhóis apareciam com uma propaganda da Endesa (1), na qual se assinalava que ela era o remédio para reduzir as emissões de carbono. Note-se que foram as principais empresas eléctricas, as mais contaminantes, as patrocinadoras desta Cimeira. Acciona, Engie, Endesa e Iberdrola contribuíram com 10 a 12 milhões de euros para a sua organização.

É verdade que as grandes multinacionais estão a abandonar a geração de energia obtida com carvão e diesel, para passar a outros tipos de energia (não tão limpas como se crê), que são a eólica e a solar. Mas não o fazem pelo planeta. É muito mais rentável para elas. O Governo garante o investimento.

Transição para as multinacionais

A chamada transição energética aparece como uma manobra para que as multinacionais mudem o seu negócio ganhando dinheiro. O clima importa-lhes pouco. Além disso, no caso de Espanha, a passagem de umas formas de geração de energia – baseadas no carvão – para outras faz-se de tal maneira que seja garantido o lucro às multinacionais.

Efectivamente, no passado dia 22 de Novembro, o Conselho de Ministros aprovou um decreto que garante aos instaladores de painéis foto-voltaicos e de eólicas a rentabilidade dos seus investimentos até 2031. Mais de 7% garantidos. Os que falam de concorrência livre, afinal fazem apelo ao Estado para que garanta os seus investimentos. A transição energética é garantida às multinacionais, mas não aos muitos milhares de trabalhadores – mais de 300 mil, segundo a Confederação sindical Comisionnes Obreras (CCOO) – que vão perder o seu posto de trabalho.

Uma energia não muito limpa

Mas, como tudo o que respeita às multinacionais se converte num negócio que despreza todos os direitos, agora têm como objectivo construir grandes parques eólicos e foto-voltaicos que criam grandes problemas colaterais.

Por exemplo em Pinto, localidade da região de Madrid, foi apresentada uma proposta para montar painéis solares numa área de 800 hectares (8 milhões de metros quadrados) que – segundo é denunciado pelas organizações de Pinto e pela sua Autarquia – teria um impacto no meio ambiental muito negativo, além de acabar para sempre com o solo urbanizável.

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(1) A Endesa é uma empresa espanhola, fundada Novembro de 1944, que actua no negócio da distribuição de gás natural, bem como no da geração e distribuição de energia eléctrica. Em 2006 sofreu uma oferta não-solicitada de compra pela Enel (de Itália), que o Governo espanhol tentou bloquear por meio de restrições impostas pela Comissão Nacional de Energia (CNE) daquele país. Em Novembro de 2006, a Comissão Europeia julgou ilegais todas as restrições impostas pela CNE. Assim, em Fevereiro de 2009, a Endesa passou a ser controlada pela estatal italiana Enel.

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Este documento é da autoria de Jesús Béjar e foi publicado no periódico Información Obrera (Informação Operária), de 13 de Dezembro de 2019, Tribuna livre da luta de classes em Espanha.

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