Os trabalhadores necessitam de um Governo que resolva os seus problemas

Costa_req_civil

No próximo dia 6 de Outubro, os portugueses vão ser chamados a votar, depois de uma campanha eleitoral onde os debates televisivos, entre as diferentes forças candidatas, assumem – perante a população – o papel de uma encenação mediática, acolitada por turmas de “comentadores” e destinada a fazer passar a ideia de que todos os problemas, com os quais o país está confrontado, serão resolvidos após o acto eleitoral.
Mas o que esperam realmente os trabalhadores destas eleições?

A maioria de entre eles deseja, sem dúvida, que o seu resultado permita a constituição de um Governo para satisfazer as reivindicações mais prementes da população trabalhadora. Um Governo para garantir trabalho com direitos e as conquistas sociais conseguidas com a Revolução de Abril (nomeadamente os cuidados de Saúde, Educação e um Ambiente saudável). Direitos e conquistas postos em causa pela política dos sucessivos governos – profundamente agravada com a aplicação do Memorando da Troika.

O actual Governo não reverteu a essência desta política, apesar das promessas feitas no momento da sua constituição.

Muitos trabalhadores irão votar, sobretudo, para impedir que os partidos que exprimem directamente os interesses do capital voltem a ter maioria.

Partilhamos naturalmente este sentimento: nem um só voto para estes partidos.

Mas as populações dos diferentes pontos do país têm presente, certamente, que – ao longo destes quatro anos de Governo do PS, assente em acordos assinados com o PCP/PEV e o BE – tiveram de sair à rua para defender os Centros de Saúde e os Hospitais Públicos, tais como os enfermeiros e os médicos, em defesa da sua carreira profissional, que constitui a garantia da qualidade e do bom funcionamento do SNS.

Os professores não esquecem a concentração massiva, em frente da Assembleia da República (AR), no momento da votação do Orçamento do Estado para 2018. Não esquecem também que, nessa altura, o Governo declarou publicamente o reconhecimento da contagem integral do seu tempo de serviço, reconhecimento transformado em disposição legal pela mesma AR. E que, a seguir, este mesmo Governo faltou à sua palavra e ameaçou demitir-se caso a AR voltasse a reafirmar esse reconhecimento.

Tal como, ultimamente, os motoristas de matérias perigosas – em luta pela defesa de condições de trabalho e salariais justas, e pelo pagamento, segundo a Lei, de todo o trabalho efectuado – não esquecem a actuação do Governo perante eles.

De facto, a determinação destes motoristas – expressa na participação activa nos piquetes de greve, apesar da campanha caluniosa movida contra eles e contra o sindicato que os representa, dos ataques ao direito à greve por parte do Governo, através da imposição de serviços máximos, da requisição civil e do recurso a forças militarizadas – constitui uma referência para sectores fundamentais do movimento operário, confrontados com situações que se recortam com as suas.

Contrariamente àqueles que querem fazer crer que todos os problemas da população trabalhadora e do povo português se resolvem no quadro negocial parlamentar, a conclusão – a partir da própria experiência histórica do povo trabalhador português – é a de que tudo aquilo que se conseguiu foi fruto da mobilização popular, iniciada com a Revolução de Abril e traduzida em conquistas sociais e democráticas que só podem ser garantidas e recuperadas através de uma mesma mobilização unida.

A ameaça de extinção do sindicato de motoristas por parte do Ministério Público, a pedido do Governo, concentra em boa medida toda a situação política: de um lado, um Governo que quer continuar com a política imposta pelos poderes financeiros; do outro lado, a vontade dos trabalhadores de defender as suas conquistas mais elementares, conseguidas com a Revolução de Abril.

Mas – para lá do resultado eleitoral, em relação ao qual naturalmente não somos neutros – a solução desta contradição só pode resolver-se através da luta de classes.

Comissão de Redacção


 

Quer receber o jornal completo “O Militante Socialista” em sua casa, ou na sua caixa de correio electrónico?

Então siga os seguintes passos:

  1. Faça o download (aqui) da ficha de assinatura;
  2. Preencha directamente no seu computador a ficha de assinatura;
  3. Faça o pagamento da assinatura através de depósito bancário na conta do POUS na CGD (IBAN: PT50003506970059115343072);
  4. Envie a ficha de assinatura e o comprovativo de pagamento da assinatura para pous4@sapo.pt, ou por carta para:

“Redacção e Administração do Militante Socialista”
R. Santo António da Glória, 52 B, c/v C , 1250 – 217 Lisboa

Para qualquer esclarecimento, por favor, não hesite em entrar em contacto connosco através do endereço de correio electrónico pous4@sapo.pt.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s