União Europeia: Quando os “populistas” e os “progressistas” se põem de acordo para expulsar os migrantes

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Em 2016, 180 mil migrantes desembarcaram em Itália; 120 mil em 2017, 23 mil em 2018 e 3073 neste ano de 2019, segundo dados da Organização internacional para as migrações, que declara ter recenseado 426 pessoas afogadas no Mediterrâneo. Mas este último número está muito aquém da realidade. (1)

Em 2015, a União tinha implementado, no Mediterrâneo, a operação naval europeia “Sophia”, a pretexto de evitar o afogamento dos migrantes.

A fuga de documentos, revelados pelo site Politico, revelou que o objectivo da operação Sophia era repelir os migrantes. Milhões de euros são despejados na Líbia para os bloquear “com a ajuda dos guarda-costas líbios formados e financiados pela UE – mas muitas das vezes ligados a milícias, elas próprias ligadas a traficantes. Eles actuam em águas internacionais para reconduzir as embarcações à Líbia, violando as Convenções internacionais” (Le Monde, 10 de Julho de 2019).

A partida em massa das costas africanas foi brutalmente parada, em meados de Julho de 2017, após acordos entre a UE e chefes de milícias líbias, em simultâneo com a entrada em funcionamento de “guarda-costas” possuidores de vedetas financiadas pela UE.

Foi o “progressista” ministro italiano do Interior, Marco Minniti, do Partido Democrata – antecessor do “populista” Matteo Salvini – que implementou uma regulamentação das actividades das ONG (Organizações Não-Governamentais) nesta zona, levando à retirada da maior parte delas.

Portanto, à sua chegada ao Ministério do Interior, em Junho de 2018, Matteo Salvini apenas se limitou a endurecer o que já tinha sido implementado por Minniti. Pelo seu lado, a União Europeia decidiu retirar os navios da operação Sophia e concentrar a sua intervenção em aviões, que sobrevoam o Mediterrâneo.

O fundador da ONG “Pilotos voluntários”, José Benavente, explica: “Estes aviões transmitem informações aos guarda-costas líbios. Confrontámo-nos com situações em que aviões europeus pairavam sobre embarcações com migrantes em risco, com o objectivo de guiar os guarda-costas líbios.”  

Financiados pela União Europeia“progressistas” e “populistas” todos juntosos “guarda-costas” líbios reconduzem os migrantes para a Líbia, onde eles são tratados com violência pelas milícias, encerrados em campos e, muitas das vezes, vendidos como escravos ou mesmo mortos. “Progressistas” e “populistas” da União Europeia são as duas faces de uma mesma medalha, cunhada com a sigla da muito reaccionária União Europeia.

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(1) Divulgamos esta Nota de Lucien Gauthier, publicada no semanário Informations Ouvrières – Informações operárias – do Partido Operário Independente, de França, nº 562, de 17 de Julho de 2019.

 

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