Situação na Europa: de Munique a Bruxelas…

Pence_Merkel

Aperto de mão, para a fotografia, entre Pence e Merkel.

Divulgamos esta Nota de Daniel Shapira sobre a Europa, publicada no semanário Informations Ouvrières – Informações operárias – do Partido Operário Independente, de França, nº 541, de 20 de Fevereiro de 2019.

Duas cidades foram os símbolos, nestes últimos dias, da crise qui atinge as cúpulas da União Europeia e de cada um dos governos da Europa.

Por um lado, Munique.

De 15 a 17 de Fevereiro, realizou-se aí a 55ª Conferência sobre Segurança, entre os representantes dos EUA e da Europa.

Segundo o jornal Le Monde, datado de 19 de Fevereiro, este Encontro evidenciou “uma degradação espectacular das relações entre a Europa e os EUA (…) tendo como pano de fundo o desconjuntamento da ordem internacional”.

Melhor não poderia ser dito!

O Vice-presidente dos EUA, Mike Pence, representante de Trump, resumiu todas as exigências norte-americanas ordenando – em particular, aos três maiores países da UE (Alemanha, França e Reino Unido) – que “deixem de enfraquecer as sanções dos EUA contra o Irão”, com esta fórmula: “Com Donald Trump, os EUA são de novo o líder do mundo livre.” Como está à vista, não houve qualquer diplomacia nas conversações.

Tanto mais que, poucos dias antes, Trump tinha qualificado as importações para os EUA de automóveis europeus, principalmente alemães, como uma “ameaça para a segurança nacional”.

O que levou a chanceler alemã, Angela Merkel, a declarar: “Se estas viaturas se tornaram, de repente, numa ameaça para os EUA, isso é assustador.” No seu discurso, Merkel não escondeu o pânico, ao falar “deste mundo que se desfaz como um puzzle”.

Pânico, efectivamente, perante as consequências da pressão crescente exercida pelo imperialismo norte-americano sobre a Europa.

E, por outro lado, Bruxelas.

A 13 de Fevereiro, uma greve geral paralisou a Bélgica. Todos os aviões do país ficaram em terra, pois foram anulados 100% dos voos. Aquando desta greve geral, a mais participada desde há vinte anos, os grevistas exigiram um aumento dos salários, dos subsídios e das pensões de aposentação.

O tráfico ferroviário foi igualmente muito perturbado. Nas ruas de Bruxelas, havia montanhas de detritos empilhados no solo.

Esta greve geral simboliza a resistência que amadurece em toda a Europa. Aliás, Macron esteve ausente da Conferência de Munique – deixando Merkel sozinha face ao representante de Trump – pois ele estava “apanhado” pela situação que existe em França.

Esta greve geral belga é, de facto, um sinal anunciador das enormes convulsões que se avizinham.

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