Coletes amarelos proibidos no Egipto

piramides_Egipto

Transcrevemos uma Nota da autoria de Lucien Gauthier, saída no semanário Informations ouvrières (Informações operárias) nº 534, de 19 de Dezembro, órgão de imprensa do Partido Operário Independente (POI).

O marechal al-Sissi – Presidente muito pouco democrata do Egipto – decidiu proibir, sob pena de sanções judiciais, a venda de coletes amarelos em Dezembro e Janeiro, em todo o país.

Polícias retirarão, nos mercados, os coletes amarelos em venda nas tendas. Qualquer pessoa que ande na rua com um colete amarelo será interpelada e levada a tribunal. Terá havido uma cimeira governamental sobre esta questão.

O medo do Poder é ver – por ocasião do aniversário da Revolução egípcia de Janeiro de 2011 – propagarem-se os coletes amarelos como símbolos de contestação ao Regime.

Em 2011, a exemplo da Revolução na Tunísia, as massas populares egípcias mobilizaram-se e expulsaram Hosni Moubarak – pilar da ordem dos EUA em toda a região. Abriu-se uma nova situação, provocando o pânico no seio da Administração norte-americana e do Governo israelita.

Com efeito, o Egipto é signatário, com Israel, de todos os Acordos assinados contro o povo da Palestina. O Governo egípcio – em conjunto com o Governo israelita – participa no bloqueio da Faixa de Gaza. Essa perigosa instabilidade, iniciada em Janeiro de 2011, não podia durar. O Governo dos EUA, depois dos Acordos entre Israel e Egipto, dá directamente às Forças Armadas egípcias 10 mil milhões de dólares por ano, com o objectivo de equipá-las contra as massas populares. Foi por isso que, em 2014, o Estado-Maior dessas Forças Armadas fez eleger o marechal al-Sissi como Presidente da República para restabelecer “a ordem”. Desde essa altura, têm-se multiplicado a repressão, as prisões e os processos.

Mas al-Sissi recorda-se, também, que a repressão do Regime de Moubarak não impediu o levantamento do povo, em 2011, e daí o seu encarniçamento em reprimir – preventivamente – qualquer movimento potencial.

Precisemos que as tropas egípcias encarregadas da repressão estão equipadas, essencialmente, com armas francesas: desde 2012, a França recebeu do Egipto mais de 4 mil milhões de euros na venda de armamento.

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