Trump igual a si próprio

Trump

Mal foi conhecido o resultado das eleições intercalares nos EUA, Trump utilizou o seu avião Air Force One para se deslocar a França, às comemorações do armistício da Primeira Guerra mundial (1).

Ainda durante o voo, Trump enviou um tweet assassino denunciando as “palavras insultuosas” de Macron a propósito da constituição de um Exército europeu. O que gelou o Encontro dos 80 chefes de Estado reunidos em Paris.

Mas Trump não se ficou por aí, recordando que os Europeus deveriam antes contribuir mais para a NATO do que fazem agora, sem deixarem esse encargo apenas aos EUA.

Ele também manifestou o seu desprezo pelos outros chefes de Estado, ao chegar com meia hora de atraso ao almoço organizado no Palácio do Eliseu (2) em sua honra.

America first! (Os EUA em primeiro lugar!)

Ele tinha decidido não participar no Fórum para a paz, organizado em Paris com esses mesmos 80 chefes de Estado, na tarde do dia 11 de Novembro.

Este Fórum, proposto por Macron, tinha como objectivo discutir o tema do multilateralismo, perante a instabilidade do mundo.

Ora o Presidente dos EUA não tem qualquer intenção – como já o repetiu muitas vezes – de participar em discussões para estabelecer um quadro multilateral, à escala mundial, por isso constituir um travão à sua política.

Pelo contrário, Trump desmonta, de maneira sistemática, todos os Acordos e todas as

formas institucionais constituídas no seguimento da Segunda Guerra mundial. Por isso, ele denunciou vários Acordos, como foi o caso do Acordo sobre a Energia nuclear, assinado com a Rússia em 1988. E de maneira unilateral – contra a opinião dos seus “aliados” europeus – decidiu restabelecer o embargo ao Irão, obrigando as empresas europeias a deixarem esse país, sob pena de sofrerem sanções da Justiça norte-americana. Ele multiplicou as ameaças e as acções práticas de uma guerra comercial

contra a China e contra a União Europeia. Porque nenhuma barreira ou regra pode impedir a expansão do capital norte-americano.

A eleição de Trump, há dois anos, era uma expressão da crise das cúpulas dirigentes do imperialismo norte-americano. Esta crise inscreve-se na crise mundial do sistema capitalista, na qual Trump quer que os EUA toquem a sua própria música, sem ter em conta as outras.

Ele não procura restabelecer um quadro mundial sob a égide do imperialismo norte-americano, porque sabe que isso é superior às suas forças e que a instabilidade mundial arrisca, a qualquer momento, de convulsionar completamente o nosso planeta.

Nestas condições, a política de Trump é agir caso a caso para defender, a todo o custo, os interesses dos EUA. E, ao mesmo tempo, a sua política agrava a crise mundial.

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(1) Este artigo, da autoria de Marguerite Leuwen, foi traduzido de Informations ouvrières – Informações operárias, o semanário do Partido Operário Independente, de França – edição nº 529, de 15 de Novembro de 2018.

(2) Residência oficial de Macron, Presidente da República francesa.

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