Brasil: vamos vencer estas eleições!

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Contribuição para o balanço da primeira volta (extractos)

por Markus Sokol

Submeto aos camaradas do DAP (1) – que represento na Comissão Executiva Nacional (do Partido dos Trabalhadores) e na Coordenação da campanha eleitoral – esta avaliação preliminar, que ainda deverá integrar a discussão nas instâncias do partido.

O PT vai a um embate eleitoral que será, de facto, a luta por Democracia e Direitos contra o Autoritarismo e o Ajustamento Fiscal.

Saímos de uma dura batalha, numa eleição diferente, onde se desmoronou o sistema partidário da classe dominante. Mas o PT mantém-se como alternativa, após mais de uma década de perseguição, apoiado nas Resoluções do seu 6º Congresso, na luta pelo “Fora Temer, pelos direitos e por Lula Livre!”. (…)

Enfrentar a extrema-direita

Não quero simplificar uma situação que é complexa e difícil. O recuo relativo do PT foi mais acentuado nas eleições para o Senado e para os governadores dos Estados, na 1ª volta. E, sobretudo, a extrema-direita raivosa cresceu muito à custa da direita, o que é perigoso.

Mas nós podemos derrotá-la!

Na verdade, Bolsonaro foi a opção “extrema” da classe dominante. É um farsante que se pretende fora do sistema, do qual é uma peça parlamentar há décadas. Votou o golpe do impeachment (2) e todas as medidas anti-populares e anti-nacionais. Medidas que ameaça agora aprofundar, cortando férias, 13º salário e outros direitos, além de aliviar os impostos aos ricos. Ele mente. Tal como os parlamentares pescadores de águas turvas que agora declaram apoiá-lo. Todos devem ser confrontados com os factos e desmascarados!

É por isso que é indispensável escolher o ângulo de acção correcto. Qual foi o principal problema no balanço da 1ª volta? A ingénua adesão, a uma semana do acto eleitoral, ao movimento sem-partido das “Mulheres unidas contra Bolsonaro”, nas manifestações de 29 de Setembro. As sondagens e as nossas informações internas mostram que Haddad avançava para superar Bolsonaro até esse dia 29, quando se inverteu a tendência e se configurou o resultado da 1ª volta.

Foi um erro a nossa coligação entrar naquelas manifestações de “género”, sem eixo, e mesmo etéreas. Essas acções ocultaram o PT e facilitaram – como um trampolim – a ofensiva reaccionária de milícias e de certas igrejas, que jogam na divisão do povo sobre “valores” e “moral”, quando nós devemos procurar a sua união sobre a base de uma plataforma social. É preciso não fazer nenhuma concessão sobre os direitos dos sectores sociais oprimidos. E ainda menos nos temas do reajustamento do salário mínimo, do corte nos gastos com educação, saúde e habitação, além dos direitos laborais. É sobre este terreno que vamos desmascarar o farsante. Aprendamos com a experiência!

Rechaçar as pressões para poder vencer

Como nunca antes, abatem-se gigantescas pressões sobre o PT e a sua Direcção.

Os principais órgãos da imprensa, nos seus editoriais, acusam o programa de Lula como sendo “Pior que a Venezuela”, intimidam com a “guerra civil” após as eleições e, hipócritas, pedem a “concórdia”.

Na verdade querem, como eles mesmo dizem, “descolar” Haddad de Lula e do PT. Apelam a ceder na reforma da Previdência (Segurança Social) exigida pelo mercado e a tirar a Constituinte do programa, para “se abrir ao centro”… e poder, assim, explorar as fotografias da junção do PT com os políticos do “sistema” odiado pelo povo!

Ao contrário, para ampliar e ganhar é preciso defender e estender os direitos sociais e o estabelecimento da soberania nacional. E é por se tratar da mais ampla unidade em defesa da democracia, que é preciso uma Constituinte, o meio democrático para revogar as medidas golpistas e avançar as reformas populares – tributária, política, da Comunicação Social, agrária e outras – compromissos inegociáveis do programa do PT. É o meio democrático para mudar as instituições do sistema. (…)

Os sindicatos têm uma tarefa de protecção do direito democrático do trabalhador votar 13 (o número da lista do PT), denunciando e coibindo a coacção patronal nas empresas.

Mas o principal, a maior aliança, o mais importante movimento a fazer, é terminar de mobilizar a força popular de mudança, de norte a sul, cobrir os locais de habitação ou de trabalho, os bairros e as escolas com Comités Haddad ou Lula-Haddad, lutando para fazer votar “13”!

8 de Outubro de 2018


(1) Diálogo e Acção Petista (DAP): agrupamento político do Partido dos Trabalhadores (PT), constituído por iniciativa entre outros de “O Trabalho”, Secção brasileira da 4ª Internacional.

(2) Golpe parlamentar que destituiu a presidente Dilma Rousseff.

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