Mais de 32 milhões de votos levam Obrador à presidência da República do México!

 

Obrador

Obrador: novo Presidente do México.

Nas eleições de 1 de Julho de 2018, López Obrador – com 32 milhões de votos, correspondendo a mais de 53% dos votos emitidos (1) – ganhou a presidência da República. O seu partido, Morena (Movimento de Regeneração Nacional), e a coligação de partidos que encabeça (Juntos faremos história) obtiveram a maioria nas Câmaras de deputados e de senadores. Dos 8 governos regionais em disputa vai à cabeça em 4 deles. Ganhou a eleição para o governo da capital do país (a Cidade do México) e de 3 capitais dos outros Estados.

Trata-se de um facto sem precedentes na história do país. O PRI (Partido Revolucionário Institucional), pilar político do regime, foi esmagado. É um triunfo do povo trabalhador mexicano, um triunfo da nação!

A campanha dos órgãos de Comunicação social (mentindo, procurando confundir e aterrorizar as pessoas), em conjunto com os enormes recursos utilizados na compra de votos pelos partidos pilares do regime – aos quais se integrou plenamente o PRD (Partido da Revolução Democrática) – não conseguiram deter a mobilização, no terreno eleitoral, de milhões e milhões de trabalhadores.

Hoje, 2 de Julho, estos mesmos órgãos de Comunicação proclamam o triunfo da “normalidade democrática”, “a primeira transição” para a esquerda, procurando ocultar o conteúdo social e político da vitória de Obrador e do seu partido.

O voto emitido pela população trabalhadora dos campos, dos pequenos aldeamentos e das cidades expressa uma profunda rejeição da grande maioria do país à CORRUPÇÃO, À VIOLÊNCIA, À POBREZA, ÀS MEDIDAS DESTRUTIVAS E ÀS CONTRA-REFORMAS (educativa, laboral, energética,…), impulsionadas pelos governos do PRI-PAN (Partido de Acção Nacional) ao largo das passadas décadas.

O voto expressa ao mesmo tempo a rejeição à política de subordinação (pró-imperialista) de Peña Nieto, isto é, da máfia do poder, que serviu de escadote a Trump durante as eleições nos EUA, que aceita a política da construção do muro com esse país e de violência contra as famílias de migrantes, bem como de redução do país a um território de maquiladoras (2), e sobretudo de venda a saldo das riquezas naturais do país (petróleo, água, minas,…).

Inicia-se uma quarta etapa, “pacífica mas radical” na história do povo mexicano, diz López Obrador. Com efeito, inicia-se uma nova etapa na situação política e social do país, cujos objectivos serão recuperar os direitos e conquistas que os anteriores governos destruíram e, sobretudo, alcançar os objectivos não conseguidos nas etapas anteriores da nossa história.

“Democracia autêntica!”, diz López Obrador, o que quer dizer para os trabalhadores o direito a dirigir as nossas organizações sindicais e o nosso direito a uma representação política independente.

Plena soberania nacional, o que quer dizer defesa das nossas riquezas naturais, defesa dos migrantes, rejeição das ameaças do imperialismo, apoiando-nos na mobilização da população e na solidariedade dos povos e trabalhadores da América Latina e do resto do mundo.

Sentimos que o triunfo do povo trabalhador mexicano e da nação é também uma contribuição para a luta dos povos da América Latina e das Caraíbas em defesa dos seus direitos, contra a intervenção (encoberta ou descarada) das potências dominantes e do governo de Trump. Ao mesmo tempo, sentimos que temos – nos próprios EUA – um poderoso aliado na sua classe trabalhadora (com as suas diferentes componentes), na luta contra a política imperialista do governo de Trump.

Estejamos em estado de alerta perante as ameaças que surgirão nos próximos tempos (dias ou semanas). A ameaça de fraude está bem presente, por causa da imposição tanto de governadores como de deputados e senadores por parte do PAN-PRD e do PRI, quer dizer, da máfia que tem detido o poder e do controlo que esses partidos exercem sobre as instituições eleitorais e as estruturas de poder nos diversos Estados da Federação (3).

Quais são as nossas conclusões? Este grande triunfo do povo e da nação mexicana exige, mais do que nunca, a necessidade da organização da classe trabalhadora, independente, tanto no terreno sindical como no político, desenvolvendo uma política de apoio às medidas progressistas que sejam adoptadas pelo governo de López Obrador, uma política de unidade com o partido de López Obrador e com todas as organizações que lutem pelas reivindicações do povo trabalhador e pela defesa da soberania e da unidade da nação.

Está na hora de parar com a política de venda a saldo da nação!

Está na hora de parar com a política de destruição dos direitos e conquistas da classe trabalhadora!

Luis Vasquez,

Correspondente do POUS

na Cidade do México

2 de Julho de 2018

Notas

 

  1. De acordo com o Programa de Resultados Preliminares (PREP), o score de Obrador situava-se entre 53% e 53,8%, segundo o resultado oficial de 2 de Julho.
  2. Fábricas de montagem, existentes nas zonas francas, isentas do pagamento de taxas alfandegárias.
  3. O México é uma Federação de oito Estados.

 

 

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