Trump rompe Acordo com o Irão

Isto coloca em causa as relações transatlânticas herdadas da Segunda Guerra mundial

Irã-Acordo Nuclear2-Latuff

Transcrevemos de Informations ouvrières (Informações Operárias, semanário do Partido Operário Independente, de França) uma pequena nota referente ao significado da ruptura do Acordo com o Irão sobre a questão da energia nuclear, da autoria de François Lazar, publicada no seu nº 503, de 17 de Maio de 2018.

A decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, de retirar o seu país do Acordo com o Irão sobre a questão da energia nuclear, assinado em 2015 pelo seu antecessor (Obama), agudiza as relações entre todos os países que têm relações comerciais com o Irão. Ela agrava a marcha para o caos, numa região sob tensão permanente.

Apoiando-se sobre as declarações histéricas do Primeiro-ministro israelita, Netanyahou,

Trump acusa o Irão de não respeitar o Acordo. Contudo, tanto o general Joseph Votel, chefe do Centcom (o Comando central do Exército dos EUA), como James Mattis (Secretário de Estado dos EUA para a Defesa), ou o Chefe do Estado-Maior da Defesa israelita Gadi Eisenkot – todos reconheceram que os Iranianos têm respeitado o Acordo.

O que está em jogo nesta situação não tem nada a ver com a capacidade do Irão para fabricar uma bomba atómica, porque o respeito do Acordo de 2015 – que foi reconhecido – não lhe permite enriquecer o urânio até ao nível necessário para a sua utilização militar.

O que está em jogo nesta operação é a afirmação da preponderância económica dos EUA, ao nível mundial, é a capacidade do potentado norte-americano em fazer dos seus “parceiros”, nomeadamente dos europeus, meros ajudantes (supletivos) da implementação da sua política.

A revista alemã Der Spiegel não se engana ao afirmar, na sua edição de 9 de Maio, que “os EUA escolheram a via da confrontação com a Europa. Nem as declarações de Macron, nem a severidade de Merkel (severidade que só terá impressionado o redactor da Spiegel – NdR) foram capazes de impedir Trump de avançar. Em sete décadas de relações transatlânticas pós-Segunda Guerra mundial, nunca tinha havido uma tal violação dos interesses europeus, um desacordo de uma tal profundidade.” A Der Spiegel evoca a brutalidade do Embaixador dos EUA em Berlim que indicou, através de tweets, que “as empresas alemãs que fazem negócios com o Irão devem cessar as suas actividades imediatamente”.

O jornal francês Les Échos (de 11 de Maio) mostra-se “consternado pela incapacidade europeia”, ao mesmo tempo que recorda que “a confiscação das regras do comércio

Internacional em proveito de uma única potência” não constitui uma novidade.

Ao exercer esta pressão, à conta dos interesses dos principais monopólios dos EUA – que procuram, por todos os meios, manter as suas margens de lucro (inclusive deslocalizando as suas fábricas para fora do território norte-americano, e Trump não pode fazer nada contra isso) – o imperialismo só gera desordem e instabilidade no mundo inteiro, nomeadamente nos próprios EUA.

Em contrapartida, isto leva ao retorno dos confrontos entre os Estados e à resistência dos povos.

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