Os dissabores europeus de Macron

Macron_Merkel

Velhos tempos?

Transcrevemos de Informations ouvrières (Informações Operárias, semanário do Partido Operário Independente, de França) uma pequena nota sobre as relações franco-alemãs, da autoria de Daniel Shapira, publicada no seu nº 500, de 25 de Abril de 2018, que mostram a desagregação da União Europeia.

Uma semana antes do seu encontro com Trump, Macron fez uma pequena digressão pela Europa.

A 17 de Abril, ele tomou a palavra no Parlamento Europeu. Num élan lírico, Macron teve a ousadia de dizer: «É preciso escutar a cólera dos povos da Europa.»

Para quem não escuta nem a dos ferroviários, nem a dos estudantes, nem a de todos os outros sectores, é um pouco forte…

Mas, a realidade é a descrita pela Euractiv.com: «Na falta de um real apoio alemão, Emmanuel Macron reviu em baixa as suas ambições de reforma da Zona Euro, aquando do seu discurso em Estrasburgo.» Com efeito, ele contentou-se em propor a «criação de um programa europeu que apoie financeiramente, de forma directa, as colectividades locais que acolham e integrem os refugiados». Não lhe custa nada falar assim, após ter posto em vigor em França a sua Lei e as Circulares que restringem brutalmente o direito de asilo e expulsam os imigrados.

De facto, o acolhimento de Macron pelo Parlamento Europeu foi mais do que mitigado. O presidente do Grupo S&D (Social-Democrata), Udo Bullmann, interpelou-o assim: «Senhor Presidente, com quem é que vós quereis trabalhar? Quais são os vossos parceiros?» E o vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE, da direita) respondeu-lhe: «Dos 751 deputados presentes, apenas meia-dúzia fazem parte do vosso clube de fãs.»

A 19 de Abril, Macron deslocou-se a Berlim para visitar a chanceler Merkel, sem melhor sucesso. A secretária-geral da CDU (o partido de Merkel) declarou, a propósito da proposta de Macron de criação de um Orçamento para a Zona Euro Euro: «Não penso que seja uma boa ideia ter um segundo Orçamento, distinto do que já existe para o conjunto da União Europeia.»

Quanto à segunda proposta de Macron – transformar o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) em Fundo Monetário Europeu (FME) – ela choca-se com a realidade, assim resumida pelo dirigente da CDU, Eckhardt Rehberg: «O aforrador alemão não pode ser o garante dos bancos gregos e italianos.» O que levou Henrik Enderlein, Director do Instituto Jacques-Delors em Berlin, a resumir assim as relações entre a França e a Alemanha: «A Alemanha passou da passadeira vermelha às linhas vermelhas.»

O desmoronamento da União Europeia está em marcha.

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