Repressão não abafa o “Fora Temer!” Comité Olímpico tentou proibir manifestações, mas não conseguiu

(Informações publicadas no Jornal “O Trabalho”, nº 792, de 18 de Agosto de 2016, editado pelo corrente com o mesmo nome do Partido dos Trabalhadores, e Secção brasileira da IVª Internacional)

Fora_Temer

Em todos os eventos da Olimpíada – desde a passagem da tocha pelas cidades, passando pela abertura e durante os jogos – têm ocorrido manifestações pelo “Fora Temer!”. A decisão do Comité Rio-2016 de proibir manifestações levou um trabalhador voluntário a abandonar a Olimpíada.

Como na ditadura militar, as forças policiais agem com violência, rasgando cartazes, tirando dos estádios aqueles que se manifestam, e até abrindo caminho para passagem da tocha com bombas de gás como ocorreu em Duque de Caxias (Rio de Janeiro – RJ).

Mesmo assim, os protestos continuam, o que obrigou a justiça federal do RJ, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), a permitir as manifestações. O pedido do MPF foi feito com base na denúncia feita à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro contra a União, o Estado do RJ e o Comité Organizador dos Jogos Olímpicos. A decisão determina que o Comité Rio-2016 se abstenha “imediatamente de reprimir manifestações pacíficas de cunho político nos locais oficiais, de retirar do recinto as pessoas que se estejam a manifestar pacificamente nesses espaços, seja com cartazes, camisetas ou outro meio lícito permitido durante os jogos olímpicos e paraolímpicos.”

O Comité não se comprometeu a cumprir a decisão, prometeu tolerar vaias e cantos com teor político, o que levou o Director de comunicação da Rio-2016 a declarar que “se isso não fosse aceito, metade do Maracanã teria sido esvaziado”, referindo-se à vaia recebida por Temer na abertura dos jogos. Não conseguiu esvaziar o Maracanã, mas onde pôde, como no caso da competição de tiro com arco, obrigou à expulsão das arquibancadas de um grupo de torcedores que gritavam contra Temer. O Comité recorreu da decisão de tolerar as manifestações, mas o recurso foi recusado.

Pelas próprias regras do Comité “é ressalvado o direito constitucional ao livre exercício de manifestação e à plena liberdade de expressão em defesa da dignidade da pessoa humana”, a qual só pode ser garantida com emprego, transporte e habitação, com acesso à saúde e à educação, com direitos laborais e sociais. E como Temer veio para atacar as condições de vida e de trabalho, o povo trabalhador vai continuar a manifestar-se, durante e depois da Olimpíada, em defesa dos seus direitos.

 Tentaram poupar o golpista, mas não deu

Na Olimpíada, com magra presença de governos e vaias, os terceirizados são super explorados

 As imagens da abertura da Rio-2016 lembram o velho ditado: “Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento”.

A abertura oficial foi uma das mais desprestigiadas dos jogos recentes, com a presença de apenas 18 chefes de Estado (na última, em Londres, havia 90). O golpista Temer não recebeu manifestações de prestígio internacional como esperava. Mas, é importante registar, que quem manda mesmo e mais beneficia com o golpe – os EUA – enviou o Secretário de Estado, John Kerry, para brindar com o Governo golpista.

O discurso de Temer, que gastou menos de 10 segundos, foi abafado por vaias do Maracanã. Os narradores do evento, inclusive, suprimiram o nome do golpista nos anúncios, tentando evitar vaias

Condições de trabalho

 Enquanto a Olimpíada continua, sabe-se que a estrutura de alimentação e limpeza do evento possui mais de 6500 trabalhadores terceirizados (subcontratados), sujeitos a condições de trabalho praticamente criminosas.

O próprio Ministério Público do Trabalho iniciou uma onda de autuações das empresas que estão a operar nos Jogos olímpicos.

Uma trabalhadora explicava que, para se alimentar numa jornada de trabalho de 11h 30m, recebia “uma garrafa de Coca-Cola e um lanche por dia”.

Além disso, os trabalhadores nem sequer têm local apropriado para comer as suas refeições e não podiam sentar-se nas mesas destinadas aos clientes dos jogos.

Segundo a imprensa, há trabalhadores que ultrapassam turnos de 12 horas. E a respectiva empresa recusa-se a reconhecer as horas extra. E, nos locais de trabalho, não existem bancos para descanso dos funcionários, mesmo com essas jornadas longas; por outro lado, a inexistência de transporte para eles, faz com que muitos precisem andar uma hora para chegar ao local de trabalho. Os terceirizados não podem usar o transporte que está reservado para os jornalistas e os voluntários.

E isto não é de hoje, pois a empresa oficial que gere a mão-de-obra da Rio-2016 já havia passado por problemas iguais na Copa do Mundo em 2014.

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